Sorri

Quando passava rapidamente pelos sebos de revistas, livros e todas quinquilharias, gostava de procurar aqueles discos de vinil antigos principalmente os de coletâneas musicais. Às vezes, nem tão famosas, mas surpreendentes pela qualidade, embora ainda intactas nas caixas. Num desses passeios, percebia que as coisas mudavam de repente, que os vinis não me pareciam o antigo objeto de desejo, que havia outros motivos para os passeios, que nem sabia muito bem definir. Talvez o dia de sol em Porto Alegre, encontro com outros colecionadores e amantes de livros e discos, ou de quaisquer bugigangas que trouxessem um pouco de saudade. Nestes momentos, o mundo não parecia o mesmo, movia-se mais rápido. Com o tempo, percebia que, na verdade, procuramos muitas coisas e nossos desejos de felicidade estão bem escondidos, num lugar quase impenetrável e cada vez que os buscamos, o fosso se alarga e ela se espalha, como mercúrio do termômetro quebrado. Ágil, imperiosa. Às vezes, alegria transborda. Outras, a tristeza impera. Mas não há porque chorar, mas sim, sorrir. Juntar as gotas de mercúrio talvez seja impossível, mas há como sujar os dedos de pura substância. E o perigo está aí, em ser feliz. Porque a felicidade também dói, também causa ansiedade e medo. Mas então, devemos sorrir. Como naquela música que o Cauby Peixoto cantava magistralmente e também, mais tarde, num tom bem melancólico, a voz limpa e melodiosa de Djavan. Sorri ou Smile. “Sorri, quando a dor te torturar e a saudade atormentar os teus dias tristonhos, vazios.” Há momentos assim, que os dias se arrastam, que não se tem a dinâmica do processo do tempo nem a perspicácia para se descobrir um caminho novo, para mudar a situação. Às vezes, nem sempre é algo muito palpável. É uma tristeza de se querer ser triste, não se sabe como, mas quem sabe uma necessidade intrínseca do ser humano em querer sofrer. Que me perdoem os médicos e os psicanalistas, mas acho que o homem em determinados momentos, gosta de sofrer. Por vezes, o sentimento extrapola uma dor imaterial, sugerida por uma canção doída, que nos remete a sofrimentos, que nem são nossos, mas que os tomamos, como a dor de nossas vidas. Sempre que ouço a música “Pedaço de mim”, que fala exclusivamente da saudade, pra mim, surge uma imagem clara da dor de um pai ou mãe que perdem o filho e essa imagem me dói intensamente, mesmo sabendo que é uma metáfora forte para a dor da saudade, do abandono, da morte do amor. “Oh, pedaço de mim, oh, metade arrancada de mim, leva o vulto teu, que a saudade é o revés de um parto, a saudade é arrumar o quarto, do filho que já morreu”. E se sofremos por motivos diversos, isso de forma real e absoluta, também encolhemos essa dor, com medicamentos alienantes. Mas que fazer? Segurar a dor? Segurar a ansiedade? Não. Sorri, como diz a música. “Sorri, quando tudo terminar, quando nada mais restar do teu sonho encantador”. E quem não sonha sempre, em qualquer etapa da vida? Quando crianças, em conseguir aquele game famoso, de última geração. (Na verdade, nem todas as crianças tem estes sonhos, algumas no máximo, o de brincar nas ruas enlameadas em que vivem). E quando adolescentes, que o sonho maior talvez seja apenas a afirmação como ser humano, integrante no grupo, fazer parte da galera? É possível. Aí vem o sofrimento, a dor , a angústia. E quando adultos? O amor imaginado, a segurança do carinho certo, do encontro pleno, ou quem sabe, da profissão desejada, do emprego, da vocação? Há tantos sonhos para os jovens. E para os adultos, de qualquer idade? A viagem sonhada? A saúde? O projeto há tanto adiado? O reconhecimento dos amigos? O acolhimento da família? Que fazer, quando nem tudo ocorre como sonhamos? Sorri. “Sorri, quando o sol perder a luz e sentires uma cruz, nos teus ombros cansados, doridos, sorri”. E quem sabe, assim, com o passar do tempo, com o deflagrar das ilusões, com a tendência de sermos celebridades por momentos exíguos e expor as nossas vidas ao público das redes sociais, vivermos esse sonho virtual. Então: “Sorri, vai mentindo a tua dor, e ao notar que tu sorris, todo mundo irá supor que és feliz”.

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Registros

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Não sou de guardar muitas coisas. Um texto aqui, um chaveiro ali, uma fotografia lá. Há coisas que não se guarda, na verdade, se resguarda do extravio. Há outras que nos parecem uma espécie de registro, uma lembrança de um acontecimento importante em nossas vidas, uma informação do passado, uma memória. Guardo alguns recortes que nunca leio. Guardo fotografias que dificilmente olho. Guardo textos antigos que jamais analiso. Um coisa, tenho certeza, guardo sim e com prazer: cartões do dia dos pais ou relacionada a minha profissão dados por minha filha, afilhados e sobrinhos. Essas, de vez enquanto, espio agradecido. Observo as letrinhas desenhadas, o jeito despojado de oferecer carinho e mais do que tudo, a espontaneidade do momento. É muito bom. Outras, burocráticas, nem tanto. Em todo caso, há que se guardar. Guardar é esperar que algum dia, se utilize dessas pequenas relíquias para compor uma memória organizada, quem sabe? Uma coisa, tenho certeza, as lembranças de encontros, de apertos de mãos, de despedidas, de afagos, esses sim, são sempre bem registrados e a todo momento, vem na lembrança com a euforia que lhes é peculiar ou a saudade que os constitui. Lembranças boas ou más sempre estão conosco. É preciso burilá-las e deixar que venham ao lume as que nos transmitem paz. Coisas de bibliotecário.

A vida andava devagar

Como morava próximo à Praça Saraiva, meu pai às vezes tomava o bonde, que saia do abrigo, via Aquidaban, dobrava na linha nova e prosseguia pela Colombo. Morávamos em frente à Padaria União e lembro bem, meu pai cevava o mate, apanhava a garrafa de leite da soleira da porta, comprava o pão de quilo, tomava o café e saía para o trabalho. Recordo, certa vez em que voltava no Saraiva, com meu pai. Eu, apoiado no final do vagão, observando os trilhos que fugiam céleres ante meu olhar, escoandDSCF8688o histórias pelas alamedas que se perdiam, operários apressados, crianças no caminho da escola, donas de casas afoitas para abastecer a despensa. Lembro de uma tia que estocava a tulha com cereais, pois temia uma presumível guerra mundial. Além disso, tinha por hábito, enfeitar a cozinha com artesanato em crochê. O forro do botijão que compunha o fogão Wallig, a capa do filtro de cerâmica, o guardanapo sobre a Steigleder e a toalha da mesa. Nem a tulha escapava do adorno. Ah, da cozinha para a copa, havia uma passadeira, adivinhem, de crochê. Fiquei ali, observando os trilhos que se afastavam, compondo histórias, quando meu pai perguntou por minha irmã. Nem percebera que ela ficara na parada onde tomamos o bonde. Meu pai desceu rapidamente. Naquele momento, percebi-o como um herói dos gibis, empenhado na defesa da harmonia e da paz. Não demorou muito e ele apareceu na janela, esbaforido, com minha irmã nos braços, pedindo que abrissem a porta. O cobrador acenou para o motorneiro, que em seguida freou, acionando a campainha, para que meu pai permanecesse no meio fio. Quando o vi, ali dentro, a paz se instaurou. Então, voltei pra minha janela, lembrando da tia esquisita, que ornamentava a casa, quase desfigurando-a de seu aspecto original. Havia outra tia, que varava as madrugadas organizando a cristaleira. E em minha mente, a presença de um tio, de feições aristocráticas, rosto afilado, bigode preto e fala macia, que discutia política. Mas estes, são temas para outras crônicas. A vida, naquela época, andava devagar, como os bondes.

Viver a história

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Pensar num livro que povoou a minha infância me faz reviver sensações intensas, talvez saudade do período das descobertas, de aguçar a curiosidade em torno de qualquer tema. E, no caso, um tema de história, uma história romanceada, como se fazia na época. Trata-se do livro “Tiradentes e o aleijadinho: as duas sombras de Ouro Preto”, de Sérgio D. T. Macedo, um autor que escrevia para a juventude. Atualmente, pouco se sabe deste autor, embora nos sebos virtuais e em livrarias ainda existam algumas obras disponíveis. De todo modo, aquele mundo criativo, no qual passávamos a amar os heróis e entender a narrativa histórica como uma ocorrência de acontecimentos extraordinários, talvez nos tenha legado o desejo de perscrutar a sociedade com olhos mais afoitos, mais incisivos, mais instigantes. Não aqueles olhos de criança, cheios de expectativas e curiosidade, mas os de quem busca uma forma de encontrar se não heróis, pelo menos, cidadãos de caráter. Eram tempos de ilusões, de buscas, de alegria. Tempos em que mergulhávamos na leitura com a ansiedade de quem hoje navega na internet. Mas havia muito mais do que a interatividade virtual da atualidade. O que contava era o relacionamento com o próximo, baseado nos bons hábitos. A aprendizagem se dava pela profusão de ideias que emanavam dos livros e das discussões em sala de aula. Não éramos santos, em absoluto, mas praticávamos com intrínsica sabedoria, o ato de viver. Nossa imaginação voava em saltos e se perdia em sonhos, tal como o parágrafo que encerra o livro e sugere quase num sussurro, ao nosso ouvido, a trajetória dos personagens, ali, tão próximos de nós. “Então, se a gente fechar os olhos um instante e deixar o pensamento recuar para muito longe, para bem distante no tempo perdido, verá muita coisa interessante acontecer… Verá que pela rua detrás da matriz de Antônio Dias, passa um escravo forte, carregando o Aleijadinho todo embuçado na sua capa escura ; verá que se acendem as luzes na casa de Marília e ao som da “cavatina” os pares rodopiam no salão imenso, enquanto as moças riem, felizes; verá, que na ponte dos Contos, o poeta Gonzaga parou um instante, declamou um verso, deixou escapar um suspiro e continuou a caminhar, imerso em profundas reflexões; verá Bárbara Heliodora, toda vestida de preto, rindo um riso manso, suave, delicado, enquanto vai desaparecendo na curva daquela ruazinha íngreme, tão íngreme e tão alta, que parece o caminho do céu…” Era assim que a gente aprendia história.

As meninas da Socoowski

São lindas, feias, morenas, loiras, negras e sararás.

São pobres, jovens; jovens demais. Aparentam entre 14 e 21 anos. Não se sabe precisar ao certo. Afinal, permaneceprostinfantil 2m ali, na beira da calçada, sem sonhos ou direções.

Seus encantos e encantamentos se foram há tempos, na sarjeta da rua sem meio fio.

Por certo, há pouco brincavam e vez que outra, ainda o fazem, na imaginação. Brinquedos usados, roupas da última campanha, dores do desfazer, do quase inexistir.

Estão lá, considerando-se belas, cabelos despenteados, roupas que nem lhes cabem, botas compradas com o dinheiro da humilhação e decadência.

As meninas da Socoowski.

Talvez tivessem outro destino.

Talvez não se desfrutassem nas madrugadas e manhãs frias da Socoowiski, oferecendo-se nos pontos de ônibus ou aos caminhoneiros de passagem.

Talvez tivessem outros sonhos, se a vida lhes fosse afável.

Ou não.

Buscam o que precisam, não refletem, não questionam. Seus sonhos são rasteiros e doídos, despidos de qualquer beleza. Seu aspecto é tristonho. Carregam consigo o mais torpe fardo. Seu olhar é perdido, quiçá um pensamento distante de um futuro que não lhes cabe, vasculha de vez enquanto, a mente.

A prostituição é atividade profissional no Brasil, enquanto praticada por adultos.

Mas serão adultas, as meninas da Socoowski?

E há os que as procuram, por isso, elas existem. Não importa se são menores ou não. Há os pais que as oferecem. E o que fazem as mães das meninas da Socoowski?

O que querem as meninas da Socoowski? Dinheiro, roupas da moda, drogas?

Certamente as drogas são ferramentas de seu trabalho.

São prostitutas as meninas da Socoowski? Ou sofreram abuso sexual intra e extra familiar?

Estão ali por que querem?

Quem entende as meninas da Socoowski?

Quem salvará as meninas da Socoowski?

Fonte da ilustração: site http://www.iguaibahia.com.br

Email: gcgilson4@gmail.com

O verão de nossos dias

1926689_605577382852267_9101042640136882884_nTanto se fala no verão. No sabor das águas, no saborear da brisa, quando não dos ventos do Cassino. Acima de tudo, o bate-papo com os amigos. Verão é isso. Jogar conversa fora, sem muito compromisso. Talvez seja mais do que um andar ao léu, ou margear a praia de bicicleta nos fins de tarde. Ou como diz Vinícius na música, “um velho calção de banho , o dia pra vadiar”. Talvez seja mais do que conversar sem compromisso. Talvez seja mais do que lagartear ao sol. Talvez seja apenas viver. Viver plenamente, o que, às vezes, deixamos de fazer durante o ano. Claro que não se quer um tempo exclusivo de fazer nada. Mas um tempo pra nós mesmos, onde nem nos olhemos tanto no espelho, nem nos preocupemos tanto com a sandália gasta. Mas um tempo para ler aquele livro que prorrogamos sem a devida atenção, e que sempre nos vem à memória. Um tempo para nos dedicarmos à natureza. Para pormos em prática a tranquilidade dos dias. Para esquecermos a rotina, a afobação dos bancos, das lotéricas, dos shoppings. Para deixarmos o cidadão comum e sermos especiais. Especiais de um dia de verão. Ah, as águas de verão. As chuvas de verão. Os amores de verão. O verão que temos em mente, na memória, no passado e no presente. O verão de nossos dias. Os dias que virão.

O outro

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Estava assim à procura do tempo e o avistei sozinho. Parado que se encontrava à porta da igreja. Barba longa, desleixo involuntário. Pele escura, encardido. Sol a pino, um boné velho, virado para o lado, uma gosma escorrendo no canto da boca entreaberta com dentes falhados, amarelos, mastigando levemente a vida. Nos olhos, uma fuga estranha, um olhar para dentro, um não sei o que faço, que assustava. Por um momento, senti uma certa náusea. Olhar aquele ser humano, e poder enxergar esta condição, me apavorava. Difícil para qualquer um entender. Difícil pensar no assunto e enfrentar a situação. Aproximei-me com moedas pesadas, ajustadas na palma da mão, mergulhadas que estavam no bolso, escorregadias no tilintar dos dedos. Acho que o assustei, porque me olhou de soslaio, meio apalermado, temendo talvez uma sacudida, um pedido que saísse, ou uma ordem de evacuação do espaço. Que nada. Sorriu ao ver o brilho das moedas, bem maior para os seus olhos. Segurou-as rápido e afagou a minha consciência, no beneplácito da ação. Senti-me culpado. Dar moedas, quando poderia oferecer qualquer coisa que me tornasse um pouco mais próximo, mais intimo, mais afetuoso. Quem sabe, uma pergunta, uma palavra qualquer. Um desejo inconsciente de relacionamento. Bobagem. Naquelas condições, o máximo que faria é esfregar o dorso da mão nos olhos, ante a minha figura emoldurada nos últimos vestígios de sol, que ainda iluminavam a praça. Na volta, pessoas caminhavam céleres, preocupadas consigo, temerosas de assaltos, envolvidas em suas pequenas paixões do dia, se as tivessem, sobressaindo talvez às mediocridades do cotidiano. Quem sabe viver plenamente era enfrentar estas contingências da civilização atual. Quem sabe este confronto não faz parte de nossas existências, para alicerçarmos nossos pequenos desafios, percorrer os degraus às vezes mais acima, outras bem inferiores, irregulares sempre. Talvez fosse assim este ato de coragem de enfrentar a vida, suas vicissitudes, seus vazios, suas perdas e monótonas contradições, seu dia a dia morno, estável e seguro. Que seguro? Se precisas fossem as armas que nos apontam. Se não fossem ainda miradas através de olhos humanos, de mãos frágeis, vagabundas, certamente poucos de nós restariam. Ou só eles, os fortes, os modificados geneticamente, os robôs, os clones, os desumanos. E seriamos então a constituição de todas estas raças artificiais. E nem armas, nem moedas, nem afetos nos trariam à vida. Certamente, tudo descambaria para a vala comum da insanidade.

Mas ainda o vejo ali, estirado, uma perna esticada, mostrando os músculos danificados, através da calça rasgada até o joelho, sujo, escuro, fedorento. As mãos ensimesmadas uma na outra, esfregando-se, fingindo frio, fazendo tilintar as moedas que brilham nos bolsos. A cabeça encostada no canto da porta, à esquerda, pendente, pedindo socorro. Cabelos sebosos, amarfanhados, divididos na nuca no confronto da madeira. Por que continuo observando-o se nada tenho a oferecer. Talvez este olhar complacente, que raramente possuo. Talvez este jeito despojado, esta vontade esquisita de ir ao poço de mim mesmo e descobrir ali, um pedaço da humanidade, aí, repartida em mil cabeças, cada uma ruminando o seu destino, alijadas de um processo de cidadania que a poucos contempla. Talvez seja ele um protótipo de nossas insensatezes, de nossas precárias participações da comunidade, do nosso desejo fraco do coletivo.

Afasto-me e temo encontrá-lo novamente. Por certo, tremerei o coração, mas não por ele. Recordo Hemingway, e entendo por quem os sinos dobram. Eles dobram também por ti. Meu coração estremece, solitário e doído, por mim.

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Seria a nação de chuteiras, a Geni?

A nação de chuteiras é dos errantes, dos pobres, marginalizados, dos quem não tem mais nada. Dos que não tem porvir. Como a Geni do Chico, dá-se assim, desde menina; é um poço de bondade mas é feita pra apanhar.

Um dia surgiu a copa, e a seleção acionada. A cidade clamou desesperada, vai Nação desenfreada, não importa o que falta, não importa o que não temos, tudo será arrumado. Vai nação e enfrenta o inimigo pra nos trazer a vitória. Não importa quem te manda, não importa quem te quer. Quem te usa é o povo. E que venha o guerreiro, tão temido, o forasteiro.

Acontece que a nação também tinha seus caprichos: ao lutar com soldado tão nobre, devia superar as falhas. Arrumar a casa, fazer acessos, pontes, caminhos, para chegar ao panteão tão esperado. Mas parte do povo, gritava descompassado. Não conseguirás. Gastas onde não deves. Deixas teus compromissos e investes na competição. Joga pedra na Nação. Ela é feita pra apanhar. Ela deve sumir. E toma xingamento na Mandatária. E toma preconceito. E toma frases de efeito. E toma protestos pra não ter competição.

Mas a Nação vilipendiada, num suspiro aliviado, tentou até sorrir. E lutou e venceu e perseguiu o rumo da competição. E a Nação envaidecida se permitiu até sonhar. A cidade em cantoria, esqueceu da letargia, da fúria e do ódio e gritou animada: vai com ele, vai Nação! Você pode nos salvar, você vai nos redimir. Você vence qualquer um. Bendita Nação!

Foram tantos os pedidos, tão sinceros, tão sentidos que ela sonhou com os astros. A cidade em romaria foi curvar-se à Nação. O prefeito de joelhos, o bispo de olhos vermelhos, a mídia emocionada e o banqueiro com um milhão. As igrejas aplaudindo, as escolas solidárias, a elite comemorando, e políticos dando as mãos. Não importa o partido. A Nação é campeã. A publicidade vendendo Brahma , fuleco e tv, o ibope exorbitando e dinheiro a roldão.

A Nação sorriu sentida. A paz voltara e a bonança coletiva. O olhar mistificado. A sujeira? Já passado. Tudo brilho. Tudo amor. O patriotismo voltou. O campeão também. Atirou-se na arena, corpo aberto, sorriso franco e lutou contra os leões. O hino flamejante, coração apertado, o povo enternecido. A vitória do herói. Mas a força se extinguiu, o desânimo se instalou e o leão da morte venceu. O fracasso foi fatal. A nação caiu fraca, esbaforida, arrasada. E tentou até chorar. Mas logo chegou a noite, e a cidade em cantoria não deixou nem suspirar. Joga pedra na Nação. Ela é feita pra apanhar. Tá na hora de votar. Tá na hora de lembrar o que a gente esqueceu. Tá na hora de mentir. De voltar o processo velho. Tá na hora do protesto, da máscara dos black blocs e correr a camarilha que ousou trazer a copa.

Por um momento a cidade pensou: Conseguimos o que queríamos. O sonho não acabou. Joga pedra na Nação!

E segue a Nação de chuteiras.

2013 Projects: 365 Days, 52 Weeks

Uma imagem linda que expressa alegria plena. Causa uma sensação de serenidade. Faz bem à alma.

The WordPress.com Blog

Many of you use WordPress.com as a daily or weekly outlet to develop your craft (as seen in our popular writing and photography challenges on The Daily Post), or as a platform to chronicle your own post-a-day and year-long projects. Some projects are ongoing from year to year, while others have defined start and end points. It all depends on your project’s focus and scope, and your interests and timeframe.

Before we say hello to 2014, let’s take a quick peek at some blogging projects you worked on in 2013.

365 days

365 Days of Bacon was born on January 1, 2013, as a sort of anti-New Year’s resolution; the blogger wanted to focus on her obsession with bacon and give it the love it deserves:

Blogging about bacon everyday, and making a lot of tasty bacon recipes? Now that was a New Year’s resolution I could…

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