As meninas da Socoowski

São lindas, feias, morenas, loiras, negras e sararás.

São pobres, jovens; jovens demais. Aparentam entre 14 e 21 anos. Não se sabe precisar ao certo. Afinal, permaneceprostinfantil 2m ali, na beira da calçada, sem sonhos ou direções.

Seus encantos e encantamentos se foram há tempos, na sarjeta da rua sem meio fio.

Por certo, há pouco brincavam e vez que outra, ainda o fazem, na imaginação. Brinquedos usados, roupas da última campanha, dores do desfazer, do quase inexistir.

Estão lá, considerando-se belas, cabelos despenteados, roupas que nem lhes cabem, botas compradas com o dinheiro da humilhação e decadência.

As meninas da Socoowski.

Talvez tivessem outro destino.

Talvez não se desfrutassem nas madrugadas e manhãs frias da Socoowiski, oferecendo-se nos pontos de ônibus ou aos caminhoneiros de passagem.

Talvez tivessem outros sonhos, se a vida lhes fosse afável.

Ou não.

Buscam o que precisam, não refletem, não questionam. Seus sonhos são rasteiros e doídos, despidos de qualquer beleza. Seu aspecto é tristonho. Carregam consigo o mais torpe fardo. Seu olhar é perdido, quiçá um pensamento distante de um futuro que não lhes cabe, vasculha de vez enquanto, a mente.

A prostituição é atividade profissional no Brasil, enquanto praticada por adultos.

Mas serão adultas, as meninas da Socoowski?

E há os que as procuram, por isso, elas existem. Não importa se são menores ou não. Há os pais que as oferecem. E o que fazem as mães das meninas da Socoowski?

O que querem as meninas da Socoowski? Dinheiro, roupas da moda, drogas?

Certamente as drogas são ferramentas de seu trabalho.

São prostitutas as meninas da Socoowski? Ou sofreram abuso sexual intra e extra familiar?

Estão ali por que querem?

Quem entende as meninas da Socoowski?

Quem salvará as meninas da Socoowski?

Fonte da ilustração: site http://www.iguaibahia.com.br

Email: gcgilson4@gmail.com

Anúncios

O verão de nossos dias

1926689_605577382852267_9101042640136882884_nTanto se fala no verão. No sabor das águas, no saborear da brisa, quando não dos ventos do Cassino. Acima de tudo, o bate-papo com os amigos. Verão é isso. Jogar conversa fora, sem muito compromisso. Talvez seja mais do que um andar ao léu, ou margear a praia de bicicleta nos fins de tarde. Ou como diz Vinícius na música, “um velho calção de banho , o dia pra vadiar”. Talvez seja mais do que conversar sem compromisso. Talvez seja mais do que lagartear ao sol. Talvez seja apenas viver. Viver plenamente, o que, às vezes, deixamos de fazer durante o ano. Claro que não se quer um tempo exclusivo de fazer nada. Mas um tempo pra nós mesmos, onde nem nos olhemos tanto no espelho, nem nos preocupemos tanto com a sandália gasta. Mas um tempo para ler aquele livro que prorrogamos sem a devida atenção, e que sempre nos vem à memória. Um tempo para nos dedicarmos à natureza. Para pormos em prática a tranquilidade dos dias. Para esquecermos a rotina, a afobação dos bancos, das lotéricas, dos shoppings. Para deixarmos o cidadão comum e sermos especiais. Especiais de um dia de verão. Ah, as águas de verão. As chuvas de verão. Os amores de verão. O verão que temos em mente, na memória, no passado e no presente. O verão de nossos dias. Os dias que virão.